Domingo, 26 de Novembro de 2006

Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
 
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
 
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
 
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
 
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
 
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita genteque come
 
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
 
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
 
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
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publicado por Equipa SAPO às 13:51
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5 comentários:
De Mel de Carvalho a 16 de Março de 2007 às 21:40
Começo por te agradecer a tua anexação ao meu blog e de seguida as palavras que deixaste em ambos os meus blogs.
Na verdade o que me move são as coisas simples da vida.
Não sei onde me "encontraste", mas comento normalmente em blogs co-relacionados com artes e/ou cultura.
Alguns temáticos, como este.
Cesariny não carece de apresentação. Fala por si mesmo e eleva alto a palavra "Portugal".
Este é um dos poemas mais conhecidos dele. Tenho comigo, as Líricas Portuguesas - 3ª Série -1958 onde está um poema de Cesariny que eu gosto muito

"Uma corda. Uma garganta"

Uma corda. Uma garganta.
Duas dores. O Infinito.
Um irmão que chora. Uma mãe que canta.
E uma noiva que diz ai que grito.
(...)

E ainda um 2º
"O Discurso ao Príncipe de Epanimondas ..."

Despe-te de verdades
das grandes primeiro que das mais pequenas
das tuas antes que quisquer outras
abre uma cova e enterra-as
ao teu lado...
(...)

***
Pelo que, como podes perceber, estou solidariamente nesta bela homenagem de um Blog a Casariny.

Um beijo d(a)e Mel
e volta sempre que quiseres aos meus espaços ...

Serás sempre bem vindo.

Quem escreve(ainda que amadora como eu) gosta que a leiam, que a critiquem verdadeiramente. A crítica ajuda a crescer. Eu gosto de escrever, não como um "desabafo", mas como uma extensão da minha mente ... Digamos que não é tb um refúgio é mais do que isso, um abrigo de Alma!


De joselessa a 12 de Abril de 2007 às 18:24
Boa tarde Mel.
Desde que te li a primeira vez, que fiquei teu leitor para sempre.
Creio que foi no Cantinho dos Poetas que te li a primeira vez, temos um amigo comum de seu nome Andrade Jorge, perdoa se estou errado mas creio que foi assim que te li a primeira vez.
Quanto a Mario Cesarini, tu dizes quase tudo.
Infelismente em Portugal foi sempre um mal amado, pouco conhecido e muito injustiçado, mas isso nunca o preocupou muito.
Este teu poema de Cesarini é uma pequena amostra do seu potencial, obrigado por mo esviares.
Beijinho e até sempre
José Lessa


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